18 de dezembro de 2016

Capítulo 33

— Este é o lugar onde nós viramos para voltar — Will disse a Puxão.
Um poste alto havia sido cravado no chão para marcar o local. O pequeno cavalo estudava o marcador com interesse.
Will se virou e olhou para trás para o oásis. Ele estava agora fora da vista, escondido pela terra ondulante, mas sabia que estava a quatro quilômetros de distância. Quatro quilômetros de ida, quatro de volta. Oito no total. Ele havia tentado conseguir doze, depois dez. Finalmente, teve que se contentar com um percurso de oito quilômetros. Ele esperava que fosse suficiente para a resistência e perseverança de Puxão se afirmar sobre Tempestade de Areia. Seria uma prova difícil, ele sabia.
O cavalo arridi era definitivamente mais rápido a uma curta distância. Para o primeiro quilômetro ou dois, ele deixaria Puxão para trás. Mas então o cavalo arqueiro iria começar a chegar nele em enquanto o garanhão arridi começaria a ficar mais lento e Puxão manteria sua velocidade.
— Vamos ganhar na volta — Will disse a Puxão.
Ele decidiu andar a cavalo ao longo do curso para familiarizá-lo com ele, e dar-lhes tanto uma chance de identificar quaisquer buracos ocultos ou irregularidades que possa derrubá-los.
Puxão sacudiu a cabeça e relinchou baixinho. Em momentos como esse, Will nunca estava totalmente certo de que o cavalo estava apenas respondendo ao som da voz do seu mestre. Muitas vezes, parecia que ele compreendia cada palavra que Will dizia e estava concordando ou discordando.
Ou nós vamos perder na volta, Will pensou. Mas ele não falou o pensamento em voz alta, no caso de colocar conceitos negativos na mente de Puxão. Esperava que os últimos quatro quilômetros dessem chance de Puxão compensar a distância que ele perderia na primeira metade da corrida. Então, quando empatasse com o cavalo e o cavaleiro arridi, outra competição começaria.
Cavalos como Puxão e Tempestade de Areia odiavam perder, odiavam ter outro cavalo na frente deles. Conforme Puxão encostasse em Tempestade de Areia, Will sabia que o cavalo arridi iria ao seu máximo por um maior esforço – para colocar o pequeno estrangeiro para trás de seu lugar. Puxão, entretanto, iria forçar a velocidade extra para ultrapassar o cavalo arridi. Seria então uma questão de julgamento para os dois cavaleiros, para escolher o ponto em que eles deveriam deixar que os cavalos assumissem o controle.
Se o fizessem cedo demais, a energia e a velocidade se esgotaria antes da linha de chegada. Tarde demais, não haveria tempo para ultrapassar. Cada cavaleiro faria o seu melhor para forçar o adversário a agir cedo demais. O momento tinha que ser o exato ou o resultado seria o fracasso. Will franziu a testa, pensativo. Observou que Hassan tinha colocado Tempestade de Areia através de seu ritmo. Mas ele tinha certeza de que o cavaleiro arridi estava escondendo algo.
Enquanto eles caminhavam em direção ao oásis, Puxão lhe cutucou o ombro, fazendo-o cambalear.
“Pare de se preocupar”, o cavalo parecia dizer. “Eu sei o que estou fazendo, mesmo que você não saiba”.
— Só não vá muito cedo, isso é tudo — Will o advertiu.
Novamente, Puxão sacudiu a cabeça em desdém.
Eles caminharam lentamente de volta para o oásis. Ao contrário de Hassan, Will não tinha necessidade de se familiarizar com as pequenas peculiaridades de sua montaria. Ele e Puxão conheciam as maneiras de um e de outro de trás pra frente e de dentro para fora.
Uma multidão de curiosos bedullins os assistia enquanto eles entraram no acampamento. Era de manhã cedo e a corrida estava marcada para mais tarde naquele mesmo dia, quando o calor do dia inteiro tivesse passado. Ele sabia que tinha havido uma série de apostas na corrida. Era impossível não ouvir as conversas no acampamento, embora ele tentasse parecer indiferente a essas questões. Também sabia que a maioria das apostas não era sobre o resultado real da corrida. Era sobre a margem pela qual Tempestade de Areia ganharia. Os bedullin estavam familiarizados com o garanhão arridi bem formado que Hassan estaria montando. Parecia que nenhum deles dava ao pequeno, em forma de barril e peludo cavalo do norte qualquer chance de ganhar.
Mesmo que Will tivesse a maior fé em Puxão, confrontada com a descrença universal, ele descobriu ser difícil manter o ânimo. No entanto, tinha que acreditar que poderia vencer – que iria ganhar. A perspectiva de perder era muito terrível para contemplar. Ele tinha sido demasiado impulsivo, pensou, arriscando perder Puxão de tal maneira. No entanto, uma e outra vez durante todo o dia, quando ele quebrava a cabeça para pensar no que mais poderia ter feito, nenhuma resposta lhe vinha. Se fosse para recuperar Puxão, teria que arriscar perdê-lo.
O pensamento o torturou através das duras horas do meio do dia. Então, quando o sol começou a se pôr, e as sombras das palmeiras esticavam mais e mais, já era tempo. Seu rosto estava triste e determinado enquanto ele conduzia Puxão através do oásis na linha de partida. Hassan estava esperando, montado no belo Palomino na linha que tinha sido escavada na areia. Como Will, que havia descartado a sua capa para a corrida, ele usava camisa, calça, botas e uma kheffiyeh. A vestimenta protegeria os rostos dos cavaleiros do voo de areia e poeira durante a corrida. Ele acenou com a cabeça uma saudação enquanto Will e Puxão se moviam para a linha de partida. Will assentiu também. Ele não falou nada. Não conseguia desejar boa sorte a Hassan. Não queria que Hassan tivesse nada além de má sorte. Se Hassan conseguisse cair de Tempestade de Areia nos primeiros cinquenta metros e quebrasse uma perna, Will não se importaria nem um pouco. No entanto, olhando para o jovem bedullin sentado facilmente sobre o cavalo, enquanto Tempestade de Areia movia nervosamente, ligeiramente empinado, as orelhas em pé com ânsia para a próxima aposta, não parecia provável. Hassan parecia estar colado à sela, uma parte integrante do cavalo.
Will colocou o pé no estribo e virou-se montando em Puxão.
— É isso rapaz — ele sussurrou.
O cavalo sacudiu a cabeça. Will pegou a kheffiyeh em seu rosto, e torceu a outra extremidade sobre ele para segurá-la no lugar. Agora, apenas os olhos apareciam através de uma fenda estreita. O resto do seu rosto estava coberto. Ao lado dele, Hassan fez o mesmo.
Tempestade de Areia batia no chão ansiosamente, levantando pequenas nuvens de poeira. Ao lado dele, Puxão estava impassível, todos os quatro pés firmemente plantados. A diferença entre os dois cavalos era demasiado óbvia: um empinado, ansioso e ágil, o casco preparado até brilhava, e o outro sólido, tranquilo e desgrenhado.
Mais dinheiro mudou de mãos conforme as apostas de última hora foram feitas.
— Cavaleiros, vocês estão prontos? — Umar adiantou quando ele os chamava.
Hassan acenou um braço.
— Pronto, aseikh! — ele falou.
Os bedullin aplaudiram e ele acenou para a multidão assistindo.
— Pronto — disse Will.
Sua voz estava abafada por trás da kheffiyeh e ele teve que forçar a palavra através de uma barreira de ansiedade na garganta. Não houve alegria neste momento. Tanto quanto ele sabia, ninguém tinha apostado nele – apenas a distância pela qual ele iria perder.
E isso não era algo que eles estavam indo para festejar.
— Mova para a linha. Mas lembre-se, se você atravessá-la antes do sinal de início, terá que virar e voltar para atravessá-la novamente.
Hassan deslocou Tempestade de Areia à frente, deixando ele de lado. Este foi um momento complicado para ele. Com o cavalo empinado e animado, ele tinha que estar a um ou dois metros da linha para ter certeza que ele não atravessaria prematuramente.
Will empurrou Puxão e o pequeno cavalo moveu discretamente para a linha.
— Fique lá, rapaz — disse Will baixinho.
As orelhas de Puxão contraíram em resposta e ele parou, seus cascos a apenas centímetros da linha. Um dos bedullin, que tinha sido atribuído a tarefa de controlar a linha de largada, agachou e olhou de perto os cascos do cavalo, então endireitou quando percebeu que Puxão não estava infringindo o regulamento. Mas ele manteve os olhos fixos na linha e pés Puxão. Vendo isso, Will tocou Puxão com um dedo do pé.
— Volte um pouco garoto — disse.
Ele não estava disposto a correr o risco de que o juiz pudesse estar impaciente para penalizá-lo. Puxão obedientemente recuou um passo.
Alguns dos bedullin franziram a testa, pensativos. O cavalo estava bem treinado. Havia mais que eles devessem saber?
— Não haverá interferência entre os cavaleiros. Se qualquer um de vocês interferir com o outro, perde automaticamente.
Os dois cavaleiros, agora olhando para o curso que se estendia diante deles através do deserto, assentiram em reconhecimento. Havia fiscais estacionados ao longo do curso para se certificar de nenhum deles roubasse.
— Cavalgue diretamente para o marcador, dê a volta nele e volte. A linha de partida também é a linha de chegada — disse Umar.
Nenhum cavaleiro acenou com a cabeça neste momento. Eles sabiam o percurso. Ambos tinham o percorrido durante o dia.
— O sinal de partida será uma explosão no chifre de Tariq. No minuto em que vocês ouvi-lo, pode começar.
Tariq, um ancião da tribo, avançou com um chifre de bronze de grandes dimensões. Ele brandiu-o para que ambos pudessem vê-lo. No início do dia, Will tinha sido familiarizado com a nota da trompa.
— Em suas mãos, Tariq, e na vontade de Deus — Umar entoou.
Era o anúncio oficial de que o próximo som a ser ouvido seria o arranque do chifre. Um silêncio expectante caiu sobre a multidão. Em algum lugar, uma criança começou a fazer uma pergunta. Umar olhou em volta com raiva e a mãe rapidamente silenciou sua prole. Umar gesticulou para Tariq e o homem mais velho levantou o grande chifre a sua boca.
Will o observava intensamente. Ele viu o puxão de ar do peito do bedullin quando ele respirou fundo. Ao seu lado e ligeiramente atrás dele, ele sabia, Hassan estaria assistindo como um falcão.
Ele apertou ainda mais as rédeas, obrigando-se a relaxar as pernas ao redor do corpo de Puxão. Ele não queria emitir qualquer sinal inadvertido do cavalo antes da hora.
Agora!
O chifre tocou sua nota barítono metálica e ele apertou Puxão com os joelhos. Vagamente, ouviu Hassan gritar “Yaaah!” quando ele chamava Tempestade de Areia frente. A multidão gritava com uma voz enorme. Então, o som cortou em estado de choque.
Puxão se atirou na distância de sua postura rígida de pernas como uma flecha, passando de um trote para galope no espaço de poucos metros. Tempestade de Areia, animado e empinado, foi deixado para trás, curvando e jogando a cabeça para os primeiros passos. Então Hassan bateu calcanhares nos lados do Palomino e ele estendeu em um galope atrás de Puxão.
A multidão silenciou momentaneamente pela aceleração incrível de Puxão na largada, mas logo começou a gritar novamente, gritando por Hassan e Tempestade de Areia para ultrapassá-lo.
Mesmo Will, que estava ciente da capacidade fenomenal Puxão para acelerar, ficou um pouco surpreso com a liderança que ele já havia estabelecido. Ele sabia que Tempestade de Areia iria ultrapassá-lo com o tempo. Depois do tranco, o arridi era definitivamente mais rápido que Puxão por mais de um quilômetro ou dois. Mas agora ele esperava que o choque de ser deixado para trás no início faria com que Hassan forçasse sua montaria, usando algumas das reservas preciosas de energia que se tornariam tão importante nos últimos poucos quilômetros.
Atrás dele, vagamente, ele podia ouvir os gritos tribais. Perto dele, ouviu o trovão dos cascos de Tempestade de Areia no terreno rochoso. Os ouvidos de Puxão foram para cima e as pernas estavam produzindo, lançando uma nuvem de areia e poeira no ar por trás deles.
Will tocou seu pescoço.
— Calma, rapaz. Mantenha ritmo.
A cabeça de Puxão fez leves movimentos em resposta. Não moveu muito porque não queria perder o passo ou o equilíbrio que tinha. Will pediu para ele ir mais leve e ele concordou. Os cascos de Tempestade de Areia estavam perto atrás dele agora. O cavalo arridi era tão rápido como um relâmpago, ele pensou.
Hassan, a poucos metros atrás deles, estava preocupado. Ele não tinha ideia de quão rápido o cavalo estrangeiro seria. As linhas de cavalo e seus modos não davam nenhuma dica de sua aceleração inicial surpreendente. E mesmo agora que Tempestade de Areia estava ganhando velocidade, ele estava fazendo muito mais lentamente do que Hassan teria gostado. Ele instou o cavalo para dar um pouco mais e deu um suspiro de alívio quando começou a ficar ao lado do pequeno e cinza estrangeiro. O outro cavaleiro não virou a cabeça para olhá-lo, mas Hassan viu os olhos do cavalo rolando para visualizá-los enquanto eles chegavam ao lado.
Cavalos rápidos odiavam ser ultrapassados em uma corrida. E este era definitivamente um cavalo rápido – não tão rápido quanto Tempestade de Areia, mas mais rápido do que ele esperava. Na experiência de Hassan, uma vez que um cavalo se visse ultrapassado e liderado por outro, muitas vezes se via por vencido ou se sobrecarregaria, tentando desesperadamente recuperar a liderança. Hassan sabia que era hora de estabelecer a superioridade de seu cavalo. Ele colocou as rédeas contra o pescoço de Tempestade de Areia e o Palomino encontrou mais alguma velocidade. Ele avançou, deixando Puxão para trás.
Will sentiu Puxão começar a responder e, pela primeira vez que ele podia se lembrar, puxou firmemente a rédea. Puxão bufou com raiva. Ele queria mostrar a este cavalo arridi chamativo o que era correr. Mas ele obedeceu ao toque de Will, e negou sua vontade instintiva de correr tudo que podia.
— Ainda não, rapaz — ele ouviu a voz de Will. — Longo caminho a percorrer.
Eles haviam passado a marca de dois quilômetros, ouvindo os aplausos dos fiscais parados lá conforme eles passavam. Os elogios foram todos para o Tempestade de Areia, que estava liderando na frente de Puxão por quase quarenta metros. O cavalo arridi corria lindamente, Will pensou sombriamente, com um passo muito poderoso e ritmo perfeito. Quarenta metros era longe o suficiente, pensou. Ele sinalizou Puxão para aumentar o seu ritmo um pouco e Puxão respondeu. Will sentiu uma onda de afeição pelo cavalo com ele. Puxão poderia continuar correndo assim o dia todo, ele sabia. Ele questionou se Tempestade de Areia poderia fazer o mesmo.
Ele estimou que eles tinham avançado cinco a dez metros mais perto deles quando Hassan e Tempestade de Areia dobraram o marcador de metade do caminho. Confortavelmente na liderança, Hassan havia diminuído o ritmo de seu cavalo um pouco, sabendo que a sua melhor volta de velocidade estava atrás deles agora.
Ele acenou quando passaram pelo outro cavaleiro e cavalo. Não houve resposta de Will, e Hassan sorriu por trás de sua kheffiyeh. Ele não iria acenar se ele estivesse perdendo, também, pensou.
Girando o marcador de metade do caminho, os cascos Puxão batiam no chão pedregoso, derrapando ligeiramente à medida que eles viraram e partiram atrás de Tempestade de Areia. Eles pegaram uma pequena distância quando Tempestade de Areia virou, e perderam novamente quando eles viraram. Talvez menos de trinta metros entre eles agora.
— Vá agora Puxão! — Will gritou e o cavalo cavou fundo em suas reservas de força, resistência e coragem e acelerou com ele.
Will podia ver Tempestade de Areia através da nuvem de poeira e areia que estava chutando – nome apropriado, ele pensou sombriamente. Os flancos do Palomino estavam manchados de suor e seus lados levantando com esforço. Lentamente, Puxão diminuiu a diferença para o cavalo arridi. Com dois quilômetros para terminar, ele moveu-se juntamente com os dois cavalos de mergulho lado a lado, cada cabeça alternadamente tomando a liderança, perdendo, tomando novamente enquanto eles correram passo a passo, ninguém ganhando do outro.
Haveria um momento, Will sabia, quando era hora para a arrancada final. Ambos os cavalos e os dois cavaleiros estavam cientes disso. Era uma questão de timing perfeito. Muito em breve e o cavalo estaria esgotado antes da linha de chegada. Demasiado tarde e a corrida seria perdida.
Os cavalos, lado a lado, olhavam para si, seus olhos revirados em suas cabeças, os brancos mostrando assim que cada um possa ver o inimigo. Então Puxão saltou à frente e Will não poderia pará-lo. Fazê-lo agora faria perder velocidade, e Puxão tinha lançado os dados para eles, sentindo o momento. Ele moveu-se um comprimento do pescoço, em seguida, um comprimento do corpo, à frente de Tempestade de Areia, movendo mais rápido do que Will poderia se lembrar dele fazendo. O rufar dos cascos dos cavalos preencheu sua consciência. Então, ele ouviu os gritos de incentivo de Hassan para Tempestade de Areia e, virando a cabeça ligeiramente, viu o cavalo arridi começar a recuperar terreno sobre eles. Inacreditavelmente, ele estava ultrapassando Puxão novamente.
Então Puxão vacilou.
Foi a menor quebra de ritmo e velocidade, mas Will sentiu e sabia que estava tudo acabado. Tempestade de Areia também viu e pulou à frente deles, um metro... dois... cinco... os torrões de terra e areia voavam no rosto de Will, picando a pequena área da pele exposta ao redor dos olhos, forçando-o a cerrar os olhos quase fechados.
Havia três centenas de metros para a chegada e Tempestade de Areia tinha quinze metros à frente deles. A visão de Will ficou turva quando ele percebeu que tinha perdido a corrida – e seu cavalo.
Ele sabia que poderia pedir mais de Puxão. Ele poderia exortá-lo a tentar apanhar. E sabia que o pequeno cavalo iria responder até que o esforço o matasse. Puxão já tinha atingido o limite. O ritmo de Tempestade de Areia tinha sido enorme. A vantagem inicial que lhe tinha dado tinha sido muito grande. Tinha vinte metros à frente deles.
E então ele vacilou.
Will viu o cambalear no seu passo ligeiro, a perda de ritmo, o abrandamento da velocidade cegante. “Se ao menos tivéssemos esperado”, pensou amargamente.
Puxão tinha sido demasiado ansioso. Mas agora vinte metros na frente seria suficiente para levar Tempestade de Areia esgotado em toda a linha de chegada à frente de seu adversário igualmente esgotado.
Ele mal tinha tido a ideia quando sentiu Puxão acelerar abaixo dele. Todo o poder, toda a certeza, todo o saldo estava de volta em seu passo quando ele foi para outro nível de desempenho, um nível Will nunca havia visto antes. Puxão esticou e ultrapassou Tempestade de Areia, como se o cavalo mais alto estivesse parado. Um Will espantado agachou sobre o pescoço Puxão, pouco mais de um passageiro. Ele percebeu que nunca tinha tido qualquer ideia de quão rápido Puxão poderia correr. Parecia que não havia nenhum limite superior. Puxão simplesmente corria tão rápido quanto a situação exigia.
Ele percebeu que Puxão tinha a corrida controlada, fingindo hesitar para provocar Tempestade de Areia em um jorro final. A perda de equilíbrio e passo tinha sido um engano e Tempestade de Areia tinha engolido a isca, acelerando para longe e esgotando suas últimas reservas apenas trinta metros cedo demais. Essa era a diferença entre eles quando Puxão disparou sobre a linha de chegada.
Will já tinha desmontado e estava abraçando o pescoço do pequeno cavalo quando Tempestade de Areia, agora reduzido a um galope, com listras de suor e de sopro, escalonadas ao longo da linha cansada atrás dele. E agora os bedullin faziam vivas para o cavalo estrangeiro. Porque amavam bons cavalos e eles perceberam que tinham acabado de ver um dos melhores. E, além disso, uma vez que nenhuma das apostas se baseava em Puxão ganhar, ninguém tinha perdido todo o dinheiro para ninguém – embora aqueles que tinham apostado em uma margem de trinta metros de altura foram tentados a reivindicar os seus ganhos.
Umar tomou a rédea de Tempestade de Areia quando Hassan escorregou da sela. Antes que o jovem pudesse falar, o aseikh bateu-lhe no ombro.
— Você fez o seu melhor — disse ele. — Boa corrida.
Outros foram ecoando o sentimento quando Hassan abriu caminho através da multidão para oferecer a mão à Will. Ele balançou a cabeça com admiração.
— Eu nunca ia ganhar, ia? — ele perguntou. — Você sabia disso.
Will, sorrindo muito, apertou sua mão.
— Na verdade, eu não sabia — disse ele. Ele acariciou a cabeça de Puxão. — Ele sabia.

10 comentários:

  1. Qnd o puxão vacilou eu quasr infartei 😂

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    1. Eu tbm! qse morri o.o

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    2. fiquei muito tenso,muito mesmo,estou até tremendo

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    3. eu tbm!! meu coração quase saiu pela boca

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    4. Acho que todo mundo quase infartou!

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  2. Já eu quase tive um enfardo!
    Ass: Bina.

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  3. Meus deuses, é a segunda vez q esse cavalo me mata nesse livro

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  4. A verdade é q foi impossível pra mim reprimir um sorriso quando Puxão passou por tempestade de areia como se o outro cavalo estivesse parado \"/ Puxão wins

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  5. Meu coração chegou a bater
    😊

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Boa leitura :)