2 de junho de 2015

O Diário de Sarah


Anotações no diário de Sarah

É o primeiro dia do novo ano escolar. O dia em que Sarah conhece John Smith.

Mamãe comprou este diário para mim depois de chegar do Colorado. Me explicou que era para eu ter um lugar onde colocar meus pensamentos. Acredito que ficou preocupada quando terminei com Mark e deixei de ser líder de torcida. E porque estive parecendo um pouco ansiosa. Suponho que apenas tive essa ideia boba de que as coisas seriam diferentes agora que eu era diferente. Ultimamente tenho levado minha câmera a qualquer parte, pensando que talvez, através da lente, meus amigos pareceriam diferentes. Como se tudo o que eu precisasse esse tempo todo fosse de uma lente que servisse de filtro, que me ajudaria a encontrar o inesperado entre tudo isto, mas mesmo através da minha lente, tudo o que vi foi o que sempre esteve ali. Não importava o ângulo que eu escolhesse, que filtro utilizava ou como cortava a imagem, porque afinal ainda era Paradise, Ohio, com uma população de 5.243 pessoas. Nada diferente, nada havia mudado.
Até hoje.
Primeiro o vi fora da escola. Mamãe o havia mencionado, me pediu para manter um olho nele; mas não era o que eu esperava. Mas então, suponho que o inesperado nunca é. Com um nome como John Smith, eu havia imaginado que seria alguém mediano, comum. Algo digno de Paradise. Ele não é nada disso, porém. É bem parecido, mas com certeza não é comum. Quero dizer, a metade do time de futebol é bem parecido. Mark James é bem parecido. É algo mais que isso, algo que não posso apontar com o dedo. Aquele cão vindo correndo até ele enquanto eu tirava fotos, um beagle, sujo mas lindo. John disse que nunca o tinha visto antes, porém era óbvio que o cão gostava dele. E, honestamente, não posso culpá-lo. Há algo diferente nele, algo que me fazia querer vê-lo duas vezes. Pelo resto do dia, as coisas finalmente começaram a parecer um pouco diferentes. Talvez fosse apenas o regresso à escola, talvez fosse ter somente uma (!!!) aula com Mark; talvez ver as líderes de torcida de uniforme e não ser uma delas; talvez tenha sido encontrar John em minha aula de economia doméstica e saber que a população de Paradise, Ohio, já não era de 5.243.
Sarah




Sarah não pode evitar abrir-se para John, mesmo que dar atenção ao novo garoto faça com que seu ex – e todo o seu time de futebol – anseie por uma briga.

John e eu temos sido um par na aula de economia doméstica, o que nos dá tempo para conversar. Hoje me encontrei falando sobre Mark e que costumávamos ficar juntos. Estava um pouco assustada com o que ele poderia pensar quando descobrisse por quanto tempo saí com alguém assim, quanto tempo eu mesma havia sido assim. John parece ser do tipo que está por cima de tudo da forma como enfrenta Mark. Ninguém enfrenta Mark, jovem ou não, ele é Mark James, e aqui é Paradise, Ohio. Ele faz o que quer, consegue o que quer. Exceto por mim. Ainda parece que isso não penetra em sua cabeça dura.
Mas mesmo depois que contei tudo a John – que eu havia me retorcido para parecer cada vez mais com Mark, até que já não me reconhecia mais – ele não pareceu me julgar. De fato, parecia me ver de um modo diferente depois disso, mas de uma maneira boa. Acho. Como se estivesse vendo mais claramente agora. Demorou todo o período para eu me atrever, mas finalmente perguntei se deixou alguma namorada para trás quando se mudou. Tratei de ser totalmente casual acerca disso, porém tenho certeza de que meu rosto ardia vermelho enquanto ele me dizia que não (!!!), que não deixou ninguém. A loucura é que nunca senti esse tipo de antecipação com Mark. Com ele tudo sempre foi com quem estaríamos, o que beberíamos e que história usaríamos quando quebrássemos o toque de recolher desta vez. Mas com John, me pego pensando em quando ele pegou braço na aula de economia doméstica hoje, enviando arrepios por todo o meu corpo.
Lindo, fofo, legal, tão diferente de Mark quanto poderia ser... parece simplesmente perfeito. Bom, certo, quase perfeito. Não pode cozinhar nem por sua própria vida. Hoje tratou de tirar nossos cupcakes do forno SEM luvas de cozinha. Sério, em que mundo cresceu esse garoto? Ha-ha.
Sarah




Os monstros saem no Halloween quando Mark e sua turma tratam de espantar John para que ele se afaste de Sarah.

Dizem que os fantasmas aparecem no Halloween. Bom, o único que apareceu para mim neste ano foi o fantasma do meu ex-namorado. A noite começou exatamente como eu estava esperando; John e eu juntos, no trator assombrado. Emily veio também, e o amigo de John, Sam. Era o tipo comum de medo, do tipo escuro que gosto, como um túnel com gritos à distância e mãos invisíveis tentando nos alcançar através da escuridão. John pôs o braço ao meu redor e me lembro de pensar: por isto, poderia estar assustada sempre. O que, em retrospectiva, era muito conveniente pelo o que estava por vir.
Porque tão logo descemos do trator, as coisas começaram a ficar loucas. Uma rede caiu sobre nós e depois, de repente, alguém estava me puxando por trás. Gritei por John, mas estava tão escuro que parecia que eu havia ficado cega, e não tinha ideia de onde ele estava. Uns poucos garotos me arrastaram até Shepherd Falls e foi quando me dei conta: Mark estava se vingando de John. E sabia que funcionaria. John viria porque eles me tinham, e eu podia dizer que ele não era do tipo que corria. Implorei a Mark que não se enfrentassem oito contra um – quão patético era isso? – mas ele me ignorou e eu me perguntei pela milionésima vez como eu havia saído com ele, como sequer o tolerei.
Me deu náuseas apenas sentar ali e esperar por John, sabendo que ele estaria a caminho. Mas depois ele apareceu e não aconteceu como previ. Ainda estava tão escuro que tudo o que pude ver eram os contornos, figuras movendo-se pela noite. John havia vencido oito garotos e fez Mark se desculpar comigo (dei um tapa nele e me senti incrível).
Eu não podia esperar para sair daquele bosque, e quando finalmente o fizemos, John e eu ficamos sozinhos pelo menos uma vez na noite inteira. E foi então quando tive uma sensação estranha, como se durante toda a minha vida, sem sequer saber, eu estivesse esperando por esse cara. E agora ele estava aqui e as coisas estavam bem. Então eu o beijei. O olhar em seu rosto quando o fiz... foi maravilhoso. Era como se ele sentisse o mesmo que eu, como se também estivesse esperando a vida inteira por este momento e não pudesse acreditar que finalmente havia chegado. Assim, é claro, o beijei de novo.
Sarah




Sarah tem um encontro divertido preparando o jantar com John, mas por alguma razão, o pai de John, Henri, está estranhamente silencioso.

John e eu cozinhamos o jantar esta noite. Foi ideia minha fazer nosso prato de médio prazo para a aula de economia doméstica antes de ter que cozinhá-lo na aula. Mas honestamente, não parecia nem um pouco uma tarefa. O pai de John levou Bernie Kosar para passear, de modo só estávamos nós dois na cozinha, e parecia que estávamos apenas nós em nosso pequeno mundo. Sem jogadores de futebol, sem líderes de torcida, sem pais. Apenas John e eu, picando e misturando, rindo enquanto a cozinha se enchia de vapor ao nosso redor. Cozinhamos para o pai de John também. Só vivem John e ele aqui, e era claro que John o admirava muito. Pelo o que vi, parece ser alguém legal, mas praticamente ficou em silêncio durante o jantar. Não foi grosseiro, falou que a comida estava deliciosa, mas não falou mais nada além disso. Seus olhos estavam distantes, como se não estivesse completamente conosco, mas em outro lugar muito longe.
Durante o filme após o jantar, ficou ainda pior. Apenas ficou olhando pela janela, sem sequer incomodar-se em ver a TV. Depois deu um grande suspiro e saiu. John foi atrás dele e ficaram fora por um instante. Tratei de continuar assistindo ao filme, mas não pude evitar que meus olhos se dirigissem até a janela, até os dois parados muito próximos lá fora. Seus rostos estavam tensos e suas expressões sérias. Fico me perguntando até agora do que poderiam estar falando.
Sentiam falta do que haviam deixado para trás, talvez? John não fala muito sobre seu passado, mas todo mundo tem um, certo? Às vezes me pergunto como ele era antes de Paradise, que amigos teve, que meninas conheceu. É como se houvesse uma parte de sua vida que não conheço. E pela maneira que o Sr. Smith observava os bosques, ele parecia sentir saudades.
Sarah




Quando John vem para o jantar de Ação de Graças com a família de Sarah, parece distraído. O está escondendo?

Alguma vez já passou por algo que simplesmente não tem explicação? Não pode dizer que seja uma coincidência, um acidente ou inclusive o destino? Parece algo mais... sobrenatural? Não estou dizendo que tudo o que aconteceu hoje foi sobrenatural (obviamente não foi, é claro que não). Mas isso foi, bom… bizarro. Estranho. Inexplicável.
E não foi a única coisa estranha da noite. Era Ação de Graças, e John e seu pai, Henri, haviam aceitado vir para o jantar; porém Henri não apareceu. Havia ficado preso em algum lugar, segundo John. A princípio, não pensei muito nisso. Apenas ter John ali, na Ação de Graças, com minha família... me fez tão feliz que todo o resto parecia se desvanecer ao fundo. E depois a lente da minha câmera quebrou perto do meu rosto! Foi um pouco... incomum. Assim é inútil dizer que eu não estava pensando muito sobre o pai de John.
Mas agora, enquanto estou sentada escrevendo isto, estou começando a me preocupar. Quanto mais penso, percebo que John parecia um pouco nervoso durante o jantar. Minha família pode ser um pouco demais para assimilar tudo de uma vez, especialmente se ele só Henri, assim imaginei que fosse isso. Mas e se não fosse isso? Além do mais, quando fomos tirar fotos, ele parecia muito preocupado. Nesse momento lhe assegurei que tudo estava bem, mas realmente, o que havia atrasado seu pai na Ação de Graças, de todas as noites? O centro de Paradise estava completamente fechado.
E a coisa é, John nunca falou. Tudo o que disse antes de sair foi que Henri precisava dele. Me dá a sensação de que algo está acontecendo, mas não tenho certeza do quê. Mas é só bobeira, certo? É de John que estamos falando. Meu John. Provavelmente, Henri só precisava de ajuda na casa, ou talvez não estivesse se sentindo bem. Tenho certeza de que isso era tudo.
Sarah

11 comentários:

  1. Existem mais coisas para serem postadas ainda sobre o diário de Sarah ou é só isso??

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  2. Pensei q era em capitulo tbm ,rsrs

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  3. É só isso? Nossa ! , Bem q podeira criar outro diário de Sarah , depois desse aki ..

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  4. Heeenri :(((((
    -Teté

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  5. Como eu faço para comprar esse e os outros diários?

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    Respostas
    1. Então, por enquanto só tem e-book em inglês, ainda não saiu no Brasil impresso nem digital :/
      Vc pode encontrar para comprar em sites como a Amazon, Saraiva e Cultura

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  6. Poxa eu esperava mais, tipo saber o que ela pensa sobre John ser um Alien; no livro ela simplesmente aceita e pronto não há outras reações ou questionamentos... Mais tudo bem...

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  7. podia ser mais aproveitado, tipo, poderia ter falado dos detalhes de quando ela foi se encontrar com mark james antes da invasão

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  8. Só isso? Muito besta esse diário.

    -Nazaro Luiz-

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Boa leitura :)