2 de junho de 2015

O Diário de Sam


Anotações no diário de Sam

17 de junho

Sonhei outra vez com meu pai na noite passada. Foi divertido – na vida real, mal lembro que ele esteve aqui. Mas quando ele aparece em meus sonhos, é mais real que a realidade. Suponho que meu subconsciente saiba mais sobre ele do que eu acreditava. Às vezes penso o que mais meu subconsciente pode saber. Na melhor das hipóteses, papai me disse aonde ia e eu simplesmente esqueci, e talvez a lembrança escondida por aí, sob todas as outras, só podendo vir à tona em um sonho.
Todos dizem que papai está morto. Sei que é o mais provável, mas há muitas coisas que não fazem sentido... e sei que está vivo, em algum lugar. Simplesmente sinto.
No sonho da noite passada, como em todos os sonhos que tenho sobre ele, ele estava tentando me dizer algo. Sempre tenta me dizer, mas não consegue pronunciar as palavras. NENHUMA palavra. Apenas me olha e sorri com tristeza quando falo. Sempre nos encontramos no mesmo lugar, em um estranho salão espaçoso e sem janelas, com luzes fluorescentes brilhantes, e estamos de pé em frente a uma enorme porta metálica que não abre, não importa quanta força usemos.
Mas os sonhos são apenas sonhos, certo? Se supõe que são o modo como seu cérebro separa todo o lixo ou o que quer que seja, se desfaz de todos os pensamentos estúpidos e desnecessários que se teve durante o dia. E suponho que seja verdade que penso muito em meu pai, assim há sentido em ele aparecer em meus sonhos. Porém mesmo sabendo isso, há uma parte de mim que insiste que esses sonhos querem dizer algo. Se apenas pudéssemos ver o que há atrás dessa porta, eu teria alguma pista de onde ele está agora?
Sam




30 de junho

Ideias para não ser tão perdedor:
- Começar a fazer exercícios
- Cortar melhor o cabelo
- Fazer alguns amigos
- Parar de acreditar em extraterrestres
- Se não puder deixar de acreditar em extraterrestres, MANTER ISSO EM SEGREDO

Ok, não é como se eu realmente acreditasse em extraterrestres; mas tampouco é como se não acreditasse neles. Suponho que ler histórias de conspiração na Internet, aprender sobre todas essas coisas que supostamente acontecem no mundo sob nossos narizes só começou como uma forma de matar o tempo. Como a falsa aterrissagem na Lua; os estranhos homens-lagartos que vivem em uma base secreta no coração da Terra e saem somente para se envolver na política; os Illuminati; o projeto MONARCH, tudo isso. Quase tudo era brincadeira. Lia algumas páginas do Wikipédia porque pensava ser divertido, e a grande maioria era divertida, mas de vez em quando algo me fazia pensar Hmm, certo... e então passava de link em link e de repente me encontrava muito, muito longe do Wikipedia.
A coisa é, tem gente que realmente acredita nessas coisas. Algumas obviamente são de malucos, mas outras, não tenho certeza. Algumas teorias quase tem sentido.
Como as partes sobre extraterrestres e abduções alienígenas.
Se pessoas acreditam nisso, por que eu não deveria fazê-lo?
O ponto não é se acredito ou não, pelo menos não agora. O ponto é que quando se está em uma festa na piscina e você se encontra ao lado de uma garota realmente bonita que milagrosamente tenta manter uma conversa com você, falar de círculos em milharais e extraterrestres não é uma grande maneira de impressioná-la.
Sam




4 de julho

Fui ver os fogos de artifício esta noite, porque, bom, é o Dia da Independência e tudo isso. Estava só (continuo sendo um completo perdedor). De todo modo, fui bem, mas quando estava ali sentado assistindo, lembrei do nada daquela vez em que fui ver os fogos de artifício com meu pai quando eu era pequeno.
Nós estávamos sentados em uma manta enquanto a banda marchava e tocava “The Battle Hymn of the Republic”, e então lhe perguntei se as estrelas eram fogos de artifício que haviam ficado presos no céu. Sei que é uma das coisas mais estúpidas que se pode imaginar no mundo, mas quero dizer, eu tinha quatro anos.
Meu pai riu, porém não parecia pensar que fora uma pergunta idiota. “Não”, me respondera. “As estrelas são estrelas”. Mas então ficou sério por um segundo e disse: “Há muitas coisas aí fora que não conhecemos, companheiro. E as estrelas são apenas o começo.”
Eu havia esquecido dessa conversa até essa noite. Mas ao recordá-la, sentado em minha toalha de praia, com os fogos de artifício explodindo sobre minha cabeça, tenho que me perguntar se meu pai sabia de algo naquele momento que não me falou. E suponho que ver um monte de coisas explodindo pelos ares me fez pensar em extraterrestres... o que é uma conclusão muito fácil esses dias.
Então, agora que penso, o que acontece se meu pai não está morto? O que acontece se ele não fugiu?
E se o abduziram?
Sam




17 de julho

Chegou ontem pelo correio, do nada. Provavelmente teria pensado que era propaganda, mas vinha com meu nome, e nada chega com meu nome pelo correio, nunca.
Era um informativo chamado Eles Estão Entre Nós. Eu vira algumas pessoas o citarem em alguns fóruns que entrei na Internet, mas definitivamente nunca tinha me cadastrado. Bem podia se chamar As Notícias Lunáticas. Todas as notícias que ninguém acreditaria se estivesse em seu juízo perfeito. Trata tudo sobre extraterrestres, as coisas incomuns que acontecem e tudo o que pode estar ligado a aliens. Como por exemplo, uma menina de doze anos que foi assassinada em Londres e eles pensam que pode estar relacionado a uma guerra secreta entre extraterrestres que vivem na Terra. Completamente loucos.
Eu sei, ok? Faz com que o National Enquirer pareça o The Economist. Mas não posso me esquecer do fato de que não tenho nem ideia de onde saiu o folheto, ou como conseguiram meu endereço. E o mais importante: não tenho nem ideia de como souberam que eu estaria interessado. Há alguém me observando?
Simplesmente não quero pensar no que isso significa.
Sam




1 de agosto

Acaba de acontecer algo raro. Fui para a cama cedo, porém algo me despertou às duas da manhã. Não sei o que foi, não lembro de um barulho alto nem nada. Creio que apenas tive o pressentimento de que algo estava acontecendo e acordei. Assim, em vez de continuar deitado na cama e tentar voltar a dormir, me levantei e fui até a janela, e algo estava acontecendo no quintal. Não pude ver exatamente... estava totalmente escuro lá fora, algo estranho, porque lembro que antes de ir para a cama a Lua estava enorme, quase cheia. Mas neste momento, a única luz provinha da lâmpada na frente da casa.
Ainda assim, vi que algo acontecia ali fora, perto do relógio de sol. Havia gente se movendo. Fazendo algo.
Pensei em chamar a polícia, mas não sabia exatamente o que iria dizer. Então apenas esperei e tentei adivinhar o que estava acontecendo. Tenho certeza de que vi pelo menos quatro ou cinco pessoas.
E então pisquei e a Lua estava de volta... saiu de trás de uma nuvem, suponho. E não havia ninguém ali fora.
Talvez tenha sido apenas minha imaginação, ou parte de um sonho estranho e eu não estava totalmente desperto. Mas e daí que havia alguém ali fora? Quem poderia ser? Por que o meu quintal lhe interessaria?
Sam




13 de agosto

Bom, suponho que não tem sentido dizer MÃE, SE ESTÁ LENDO ISSO, PARE AGORA, certo? Isso nunca impediu a mãe de ninguém... não é como se minha parecesse preocupada com o que faço. E de todos os modos, se minha mãe estivesse vasculhando meu armário, ficaria tão horrorizada com a pistola que guardo sob minhas roupas que pararia antes de chegar ao meu diário.
Encontrei a pistola em nosso sótão. Devia ser do meu pai. Estava procurando antigas fotos minhas e de papai e a encontrei debaixo de uma caixa de sapatos, envolta em uma camiseta velha, carregada e tudo.
Provavelmente deveria tê-la deixado ali. Há alguns meses eu a teria deixado, porque afinal, para que precisa de uma arma? Mas a coisa é que continuo pensando naquelas pessoas em meu quintal outra noite. Quem quer que fossem. Assim, envolvi-a na camiseta novamente, fui para o meu quarto e a guardei no criado-mudo.
Ainda não a disparei. Espero não ter que dispará-la nunca, mas gosto de saber que ela está aqui.
Sam




31 de agosto

Noite passada tive o sonho com meu pai novamente. Desta vez abrimos a porta ao final do salão, mas acordei antes de ver o que havia atrás dela.
A escola começa amanhã. Tenho um pressentimento bem estranho sobre este ano.
Sam

5 comentários:

  1. Será q eram mogs no quintal do Sam !?!?

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    1. Eu acho que era a Lexa, não era?

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    2. Não era a Lexa, porque quando ela foi ver o Malcolm o Sam era bem pequenininho, e aí ele já está no ano que o John vai para Paradise. Acho que eram mogs mesmo

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  2. "Tenho certeza de que vi pelo menos quatro ou cinco pessoas."
    Tenho certeza que são os mogs, o pai do San deve ter falado alguma coisa sobre o esconderijo dele

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Boa leitura :)