29 de fevereiro de 2016

Capítulo 69

O manto negro de Aelin balançava atrás dela enquanto levava o capitão da Guarda caído através dos salões brilhantes do palácio. Escondida em suas costas estava a espada de seu pai, o seu pomo enrolado em um pano preto.
Nenhum de seus dez guardas de escolta se preocupou em tomar suas armas.
Por que se preocupariam, quando aquela era Celaena Sardothien, semanas adiantada em seu retorno esperado, e ainda leal ao rei e à coroa?
Os salões estavam tranquilos. Mesmo a corte da rainha estava fechada e silenciosa. Dizia-se que a rainha fora enclausurada nas montanhas desde o resgate de Aedion e levara metade de sua corte com ela. O resto sumira tão logo para escapar do calor do verão – ou dos horrores que vieram a governar o seu reino.
Chaol não disse nada, embora fizesse uma boa atuação de parecer furioso, como um homem perseguido e desesperado para encontrar um caminho de volta para a liberdade. Nenhum sinal da devastação que estava em seu rosto quando encontrou seus homens pendurados nos portões.
Ele puxou contra as correntes, e ela se inclinou para perto.
— Eu não pensaria nisso, capitão — ela ronronou.
Chaol não se dignou a dar uma resposta.
Os guardas olharam para ela. Marcas de Wyrd escritas com o sangue de Chaol a cobria sob as roupas, esperando que o cheiro humano mascarasse quaisquer indícios de sua herança que os valg pudessem detectar.
Havia apenas dois demônios neste grupo – uma pequena misericórdia.
Então eles seguiram cada vez mais para cima, para o próprio castelo de vidro.
Os salões pareciam reluzentes demais para conter tanta maldade. Os poucos funcionários por que passaram desviavam os olhos e se afastavam rapidamente. Haviam todos fugido desde o resgate de Aedion?
Foi um esforço não olhar constantemente para Chaol à medida que se aproximavam das enormes portas de vidro vermelho e dourado, que já estava aberto para revelar o chão de mármore carmesim da sala do conselho do rei.
Já aberto para revelar o rei, sentado em seu trono de vidro. E Dorian de pé ao lado dele.



Os rostos deles.
Eram rostos que o puxavam.
Humanos imundos, o demônio chiou.
A mulher, ele reconheceu o rosto quando ela puxou o capuz escuro e ajoelhou-se diante do estrado em que ele estava.
— Majestade — ela falou.
O cabelo dela estava mais curto do que ele se lembrava. Não...
Ele não se lembrava. Ele não a conhecia.
E o homem acorrentado ao lado dela, sangrando e imundo...
Gritando, respirando, e...
Chega, o demônio estalou.
Mas seus rostos...
Ele não conhecia aqueles rostos.
Ele não se importava.



O rei de Adarlan, o assassino de sua família, o destruidor de seu reino, descansava em no trono de vidro.
— Não é uma reviravolta interessante de eventos, campeã.
Ela sorriu, esperando que a maquiagem que passara ao redor de seus olhos silenciassem o turquesa e dourado de suas íris e que o tom monótono de loiro que ela tingira o cabelo disfarçasse sua tonalidade quase idêntica à de Aedion.
— Quer ouvir uma história interessante, Majestade?
— Será que isso envolve meus inimigos em Wendlyn estarem mortos?
— Oh, isso, e muito, muito mais.
— Por que a notícia não chegou, então?
O anel em seu dedo parecia sugar a luz. Mas ela não podia ver nenhum sinal das chaves de Wyrd, não podia senti-las aqui, como sentiu a presença no amuleto.
Chaol estava pálido, e ficava olhando para o chão da sala.
Ali foi onde tudo acontecera. Onde assassinaram Sorscha. Onde Dorian fora escravizado. Onde, certa vez, ela vendeu sua alma para um rei sob um nome falso, o nome de uma covarde.
— Não me culpe por mensageiros de meia tigela — disse ela. — Enviei a notícia no dia anterior à minha partida — ela tirou dois objetos de seu manto e olhou por cima do ombro para os guardas, empurrando o queixo para Chaol. — Vigiem-no.
Ela caminhou até o trono e estendeu a mão para o rei. Ele respondeu com o mesmo gesto, e o cheiro dele...
Valg. Humano. Ferro. Sangue.
Ela deixou cair dois anéis na palma da mão dele. O tilintar de metal sobre metal era o único som.
— Os anéis com o selo do rei e do príncipe herdeiro de Wendlyn. Eu teria trazido as cabeças... mas os oficiais da imigração poderiam me causar problemas.
O rei estudou um dos anéis, o rosto como pedra. O joalheiro de Lysandra mais uma vez fizera um trabalho impressionante ao recriar o selo real de Wendlyn e, em seguida, desgastar os anéis até que parecessem antigos, heranças.
— E onde você estava durante o ataque de Narrok em Wendlyn?
— Eu deveria estar em qualquer lugar que não caçando a minha presa?
Os olhos negros do rei perfuraram os dela.
— Eu os matei quando pude — continuou ela, cruzando os braços, cuidadosa com as lâminas escondidas no traje. — Desculpe por não trazer a grande declaração que Vossa Majestade queria. Da próxima vez, talvez.
Dorian não moveu um músculo, as feições acima do colar de pedra, frias.
— E como é que acabou com o meu capitão da Guarda acorrentado?
Chaol apenas olhava para Dorian, e ela não acreditava que seu rosto perturbado e implorador fosse fingimento.
— Ele estava esperando por mim no cais, como um bom cãozinho. Quando vi que estava sem o uniforme, ele confessou tudo. Todas as últimas coisinhas conspiratórias que fez.
O rei olhou para o capitão.
— Ele fará, agora.
Aelin evitou o desejo de verificar o relógio de pêndulo ressoando no canto mais distante da sala, ou a posição do sol além da janela que ocupava todo o pé direito de uma parede. Tempo. Eles precisavam esperar o momento certo mais um pouco. Mas, até agora, estava bom.
— Eu me pergunto — o rei meditou, recostando-se em seu trono — quem conspirou mais: o capitão ou você, Campeã... Ou devo chamá-la de Aelin?

14 comentários:

  1. Ha sabia ! filho da mãe nogento, mãe nao esse ai foi chocado de uma vibora

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  2. Ele sempre soube quem era ela de verdade. Gente to passada.

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    1. Ele não soube desde sempre. Mas ele viu na mente de Dorian assim que pôs o colar de Wyrd nele.

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  3. Sabe que não me surpreendeu isso,tipo é pro ser querer ser o pica das galáxias então seria subestimada muito ele se ele ainda não soubesse quem ela era

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  4. Haahhahhaa MDS!eu sabia eu num disse no capitulo passado! esse cachorro bastardo sabe de tudo!

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  5. Karina você tem que acrescentar um próximo cap e um droga/merda coisas do gênero no EU:

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  6. Acho que já estava meio óbvio que ele sabia quem ela era. O rei seria muito bobo se não soubesse.

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  7. sabia!!! pq ela tinha que mudar o plano

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  8. parei, Parei, agora é serio, não consigo rsrsrsr como assim? como ela achou que o rei não ia saber? até minha mãe que não leu desconfiava, o que vai acontecer agora? isso acaba comigo.

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  9. " — Eu me pergunto — o rei meditou, recostando-se em seu trono — quem conspirou mais: o capitão ou você, Campeã... Ou devo chamá-la de Aelin?"

    Elles estão num grande sarilho!!

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